Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Caballitos de mar



O teu silêncio é ave noturna
- Pupila que de remotas torres vigia.
Do filhote, já os trêmulos augúrios;
Do consorte, a fome de rapina.

Tem algo abissal, o teu silêncio
- Pérola onde toda luz ensaia.
Dos cavalos do mar, o galope náutico
E as líquidas crinas;
Das dorsais oceânicas, a geometria do assombro,
O sólido, frontal encanto.

Ato litúrgico, iluminuras, litanias
- o teu silêncio é ainda espargido incenso
( cinza imemorial e odora)
nave dos silêncios góticos que ergui.

(Melhor te amariam os olhos
que distraídos de mim te vissem.)

F. Campanella

Marinha



Desce a noite enrolada em brumas hibernais...
Trágica solidão, vago instante sombrio,
Em que, tonto de medo o olhar não sabe mais
Onde começa o mar e onde acaba o navio

Nem o arfar de uma vaga : o mar parece um rio
De óleo; oxidado o céu de nuvens colossais,
Um zimbório de chumbo acaçapado e frio,
Escondendo no bojo a alma dos temporais.

Nem das águas no espelho o reflexo de um astro...
Apenas o farol, no vértice do mastro
Rubra pupila, a arder, dentro de uma garoa...

E lá vai o navio , espectral, lento e lento,
Como um negro vampiro, enorme sonolento,
Pairando sobre um caos de tênebras, à toa.


Pethion de Villar


terça-feira, 3 de julho de 2012



O mar azul e branco e as luzidias
Pedras –- O arfado espaço
Onde o que está lavado se relava
Para o rito do espanto e do começo
Onde sou a mim mesma devolvida
Em sal espuma e concha regressada
À praia inicial da minha vida.


Sophia de Mello Andresen

segunda-feira, 2 de julho de 2012



Golfinho, meu mestre,
meu coração bate em pedras,
vem e me ensina o sonar.

Me encanta
o molejo dos deuses,
e me chama
o quebranto do mar.


Fernando Campanella


"Mãe, o que é que é o mar, Mãe?" Mar era longe, muito longe dali, espécie duma lagoa enorme, um mundo d´água sem fim, Mãe mesma nunca tinha avistado o mar, suspirava. "Pois, Mãe, então mar é o que a gente tem saudade?"


Guimarães Rosa


Miro um cavalo do mar
galopo em ternuras assim:
meu amor, te estendo meu leito,
descansa tua curvatura em mim.

Fernando Campanella

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Mar



De todos os cantos do mundo  
Amo com um amor mais forte e mais profundo 
Aquela praia extasiada e nua, 
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua. 
Cheiro a terra as árvores e o vento 
Que a primavera enche de perfumes 
Mas neles só quero e só procuro 
A selvagem exalação das ondas 
Subindo para os astros como um grito puro.



Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 26 de junho de 2012

A canção das conchas



Guardo em conchas arroubos do coração
Conchas que trazem os segredos do mar
  Embalados em suave canção
  Guardo  desejos e suspiros em conchas
Penduradas ao meu pescoço
Para que não se desvencilhem de mim
Tantos ais e lamentos fazem alvoroço
Cá dentro onde me vejo assim
  Sonho, ilusão
  Saudade, coração



Os cuidados com essa vida
Se embebedam nas águas fundas em mim
Se enroscam em rede  de mistério sem fim
Talvez um lampejo de transparência
Um toque suave de inocência



Recolho pedaços de mim
Nas conchas calcificadas
O espelho reflete
Uma imagem quebrada
Ilusões petrificadas 
Quero encaramujar
Me atirar ao mar
Não posso
Prossegue a jornada



   Úrsula A. Vairo Maia ( Úrsula Avner )    


na praia a sereia
anseia que a onda
a salve da areia
Eugénia Tabosa


as ondas beijam
os lábios da praia -
bocas do mar
Carlos Seabra


"Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; verdes mares, que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros." 
José de Alencar

sábado, 23 de junho de 2012

As sereias







 

Navegar, navegar

pelos sete mares,

atravessar

montanhas de água,

florestas de água,

para encontrar

a pedra azul

onde dormem as sereias.



Roseana Murray

domingo, 18 de setembro de 2011




















Nas ondas da praia
Nas ondas do mar
Quero ser feliz
Quero me afogar.

Nas ondas da praia
Quem vem me beijar?
Quero a estrela-d'alva
Rainha do mar.

Quero ser feliz
Nas ondas do mar
Quero esquecer tudo
Quero descansar.

(Estrela da Manhã)
Manuel Bandeira

.

quinta-feira, 14 de abril de 2011






 











Há um grande vento frio cavalgando as ondas,mas o céu está limpo e o sol muito claro.Duas aves dançam sobre as espumas assanhadas. As cigarras não cantam mais. Talvez tenha acabado o verão.

Rubem Braga




















Algo de dança
nas algas,
quase canção dos corais.


Yeda Prates Bernis


.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Eu sou a concha das praias


















Eu sou a concha das praias
Que anda batida da onda
E, de vaga em outra vaga,
Não tem aonde se esconda.
Mas se um menino, da areia
A colher e a for guardar
No seio... ali adormece
E é ali seu descansar.
Pois sou a concha da praia
Que anda batida da onda...
Sê tu esse seio infante,
Aonde a triste se esconda!


Eu sou quem vaga perdido,
Sob o sol, com passo incerto,
Contando por suas dores
As areias do deserto.
Mas se um palmar, no horizonte,
Se vê, súbito, surgir,
Tem ali a tenda e a fonte
E é ali o seu dormir.
Pois sou quem vaga perdido,
Sob o sol, com passo incerto...
Sê tu sombra de palmeira,
Sê-me tenda no deserto!

Sou o peito sequioso
E o viúvo coração,
Que em vão chama, em vão procura
Outro peito, seu irmão.
Mas se avista, um dia, a alma
Por quem andou a chamar,
Tem ali ninho e ventura
E é ali o seu amar.
Pois sou quem anda chorando
À procura dum irmão...
Sê tu a alma que me fale,
Inda uma hora ao coração!

Antero de Quental

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Fundo do mar


















No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Azul e branco



















Concha e cavalo-marinho
Mote de Pedro Nava


Massas geométricas
Em pautas de música
Plástica e silêncio
Do espaço criado.

Concha e cavalo-marinho.

O mar vos deu em corola
O céu vos imantou
Mas a luz refez o equilíbrio.

Concha e cavalo-marinho.

Vênus anadiômena
Multípede e alada
Os seios azuis
Dando leite à tarde
Viu-vos Eupalinos
No espelho convexo
Da gota que o orvalho
Escorreu da noite
Nos lábios da aurora.

Concha e cavalo-marinho.

Pálpebras cerradas
Ao poder violeta
Sombras projetadas
Em mansuetude
Sublime colóquio
Da forma com a eternidade.

Concha e cavalo-marinho.

II



Na verde espessura
Do fundo do mar
Nasce a arquitetura.

Da cal das conchas
Do sumo das algas
Da vida dos polvos
Sobre tentáculos
Do amor dos pólipos
Que estratifica abóbadas
Da ávida mucosa
Das rubras anêmonas
Que argamassa peixes
Da salgada célula
De estranha substância
Que dá peso ao mar.

Concha e cavalo-marinho.

Concha e cavalo-marinho:
Os ágeis sinuosos
Que o raio de luz
Cortando transforma
Em claves de sol
E o amor do infinito
Retifica em hastes
Antenas paralelas
Propícias à eterna
Incursão da música.

Concha e cavalo-marinho.

III



Azul... Azul...

Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco
Azul e Branco

Concha...

e cavalo-marinho.

Vinicius de Moraes

Ocaso no Mar







 








O céu a valva azul de uma concha semelha
De que outra valva é o mar ouriçado de escamas.
No ponto de junção, o sol - molusco em chamas -
Do bisso espalha no ar a incendida centelha.

Listões de intenso anil, raias de cor vermelha,
Grandes manchas de opala, arabescos e lhamas,
Da luz todos os tons, da cor todas as gamas
Vibram na valva azul que a valva verde espelha.

Mas todo este fulgor esmaece e se apaga.
Tímido, o olhar do sol bóia de vaga em vaga,
Porque uma sombra investe a sua concha enorme.

É a noite: como um polvo, insidiosa, se eleva.
Desenrola os seus mil tentáculos de treva:
E o sol, vendo-a crescer, fecha as valvas e dorme.

Artur Gonçalves de Sales

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O canto da Sereia





















Praia de vento sossegado
Com ondas que dormem na areia,
Pescador sonha com a sereia
Tendo o corpo repousado


Na proa da barca acanhada.
Ela, na água, a cauda meneia,
Num chamado e ele a nomeia:
- Mulher – sempre desejada.


Numa dança que é um mergulho,
Entoa nostálgico canto feiticeiro
Que será o som derradeiro,
Um suave doce marulho


Que ouvirá o pescador
Antes de se lançar ao mar
Perdido de tanto amar
A visão que traz a dor.


Desperta assustado a lembrar
O incrível sonho momentâneo,
Virou o remo instantâneo
Partindo para encontrar


O amor real que em terra deixou
Quando pela madrugada partiu
Com terno beijo se despediu
Da morena que à espera ficou.

Maria Hilda de J. Alão