sábado, 3 de outubro de 2009

História de amor






















Um dia, um grão de areia encontrou-se com uma estrela do mar.
Olharam-se e apaixonaram-se irremediavelmente.
E viveram felizes para sempre.
Nana Pereira

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Pérolas









 









Poemas épicos indianos como o Ramayana e Mahabarata contém interessantes lendas sobre pérolas: "Após a criação do mundo os quatro elementos honraram o Criador, cada um com um presente. O Ar ofereceu-lhe um arco-iris; o Fogo uma estrela cadente; a Terra um precioso rubi e a Água uma pérola". Na Índia acreditava-se que as pérolas nasciam na testa, cérebro e estômago dos elefantes (animais sagrados), também nas nuvens, conchas, peixes, serpentes, bambus e ostras. Sendo propriedade exclusiva dos deuses, as pérolas das nuvens irradiavam boa sorte. As pérolas das serpentes possuíam um halo azul e descendiam de Va’Suki, soberano das serpentes. Os mortais muito raramente viam essas pérolas: somente os de grande mérito gozavam de tal privilégio.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mar de Setembro






Tudo era claro:
céu, lábios, areias.
O mar estava perto,
fremente de espumas.
Corpos ou ondas:
iam, vinham, iam,
dóceis, leves - só
alma e brancura.
Felizes, cantam;
serenos, dormem;
despertos, amam,
exaltam o silêncio.
Tudo era claro,
jovem, alado.
O mar estava perto
puríssimo, doirado.

Eugénio de Andrade

terça-feira, 15 de setembro de 2009
















Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos eram dois peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.

Eugénio de Andrade

O reino de Netuno



























Mar azul, imensidão
morada de deusas e deuses,
sereias e tritões, ondinas e serpentes ,
monstros horrendos e encantadoras sereias,
Vejo as marés em movimento, a profundeza das águas
As conchas na areia, dádivas do mar,
Uma concha purpúrea, abre sua boca e bebe o orvalho do céu ,
o raio do sol, da lua e das estrelas
Vejo o mar derramar-se de amores pela areia
Sinto o sopro de um beijo teu em meus cabelos
Abraça-me, como o mar que abraça a areia molhada
Olha dentro da minha alma.........
tu és a concha , eu sou a pérola que proteges.
Ouço o barulho das ondas e espero o meu amado chegar
Morada de Netuno, Nereidas,Ninfas, Náiades,Nana, Nádia...........

Nana Pereira

Ulisses e as sereias






















Quando a divina Circe aconselhou Uisses a evitar as Sereias, de voz maviosa e enfeitiçada, recomendou lhe que tapasse com cera os ouvidos de seus marinheiros para que eles não lhes ouvissem o canto. "Mas, se tu mesmo quiseres ouvi-las, é preciso que eles te amarrem em torno do mastro da ligeira nave, de pé, com possantes cordas, para que possas ouvir com prazer as duas Sereias. Se, porém, lhes pedires ou ordenares que te soltem as cordas, mais fortemente eles te devem amarrar o corpo" (Odisséia, Canto XII).

Os lamentos



















São as sedutoras vozes da noite: também assim cantavam as Sereias... Não fora de justiça, para com elas, atribuir-lhes o deliberado propósito de seduzir: elas bem sabiam que possuíam garras e nenhum seio fértil, e disso lamentavam-se em altas vozes - mas não tinham culpa de soarem tão belos os lamentos.

(Franz kafka)