
Mostrai-me as anémonas, as medusas e os corais
Do fundo do mar.
Eu nasci há um instante.
Sophia de Mello Andresen
E os corpos espalhados nas areias
Tremem à passagem das sereias,
As sereias leves de cabelos roxos
Que têm olhos vagos e ausentes
E verdes como os olhos dos videntes.
Navio Naufragado, Sophia de Mello Andresen

As sereias nadam alegres na Praia do Desejo,
Cantando belas canções de amor ao vento;
Sonhando, ardentes, dele receber um beijo,
Um beijo do Amor, um beijo em pensamento.
O azul claro do céu de súbito invade o mar,
Nos rostos lindos delas um sorriso sensual,
Uma eterna magia que o mundo faz sonhar,
Um doce olhar, um amor belo, especial.
Os navios naufragados jazem abandonados
No fundo do mar, pelo tempo olvidados,
Com os corpos de marinheiros afogados.
Mas o canto delas é um canto de encantar,
É apaixonado, é um canto que faz sonhar,
Elas cantam porque o Amor querem amar.
(josé luís santos)
O rei atirou
Seu anel ao mar
E disse às sereias:
– Ide-o lá buscar,
Que se o não trouxerdes,
Virareis espuma
Das ondas do mar!
Foram as sereias,
Não tardou, voltaram
Com o perdido anel.
Maldito o capricho
De rei tão cruel!
O rei atirou
Grãos de arroz ao mar
E disse às sereias:
– Ide-os lá buscar,
Que se os não trouxerdes,
Virareis espuma
Das ondas do mar!
Foram as sereias
Não tardou, voltaram,
Não faltava um grão.
Maldito o capricho
Do mau coração!
O rei atirou
Sua filha ao mar
E disse às sereias:
– Ide-a lá buscar,
Que se a não trouxerdes,
Virareis espuma
Das ondas do mar!
Foram as sereias...
Quem as viu voltar?...
Não voltaram nunca!
Viraram espuma
Das ondas do mar.
Manuel Bandeira
Ó cântico das sereias perdidas,
Em torno dos mares salgados,
Brotam corais de cores vivas,
E olhares bem apagados.
Sombra virgem que gela a morte
Olhos vagos
Tristes, pequenos
Sem vida, sem sorte
Noite negra tão breve e vazia
No escuro trazes de volta
O cantar da sereia para, quebrar
O silêncio mudo do meu dia.
José Costa
O mar,
mestre dos navegantes,
berço de belos romances,
começo e fim de grandes amores,
guardião do farol solitário,
tem a cor imprecisa dos teus olhos
e o estranho brilho da tua pele
morena.
Ah! O mar me traz tantas saudades.
Ah! O mar, o eterno mar.
Teu riso infantil me dizia
o quanto querias
ser minha no mar,
dois corpos nus rolaram na areia
tendo a noite por testemunha,
e o mar que se abriu para nós
esconde o sol
e as estrelas do céu,
afogando as paixões sem piedade.
Ah! O mar, o imenso mar.
Mar que me mata devagar.
O mar,
casa dos marinheiros,
rota dos barcos de pesca,
lar dos pescadores,
amante de Iara,
tem a cor indefinida dos teus olhos
e o mistério dos teus cabelos
molhados.
O mar
cujas ondas tocam-me a alma,
é o mesmo mar que esconde os afogados.
O mar levou o meu coração para bem longe
e me aprisionou em ilhas distantes,
na ilha da Ilusão,
na ilha da Saudade,
na ilha do Amor,
e todas estas ilhas... distantes de ti,
meu amor,
e dos teus olhos indiferentes
cor do mar.
Quanta saudade eu tenho do mar.
Ah! O mar foi feito para os lunáticos.
O mar,
velho contador de histórias,
numa noite escura e fria,
veio até mim e revelou
onde escondeu o meu amor.
Então, eu caminhei pela praia,
enfrentei as ondas,
entrei nas águas
e fui buscar o teu coração, Sereia,
melancolicamente,
no fundo do mar.
Vicente Miranda
uma sereia procura o seu mar
e o encontra no paraíso
estava lindo e a cantar
num belo som tranquilo
a sereia se delicia com a musica
e no seu som tranquilo começa a entrar
vai mergulhando no oceano
que sempre a vai com delicadeza banhar
a sereia vem ao de cima
e para todos os lados começa a olhar
encontra ao longe um barquinho
e um marinheiro por quem se vai apaixonar
ela nada rumo ao barco
o marinheiro fica a ver
uma sereia tão encantadora
que nem a sua beleza consegue descrever
olham-se nos olhos
trocam um beijar
e dizem um ao outro
para sempre te vou amar
Blue Heaven

Ariel era uma jovem sereia, filha do rei Tritão. Gostava muito de
nadar na superfície do mar, e ficar espiando a maneira de como viviam os
humanos.
Um dia, ela encontrou um navio que afundava, e salvou um de seus
tripulantes. Ela o levou até a praia, e passou a noite cuidando do
príncipe desmaiado.
Pela manhã, quando o príncipe Eric acordou, Ariel já havia ido
embora, e ele só conseguia lembrar da linda voz de sua salvadora.
Os dois se apaixonaram, embora o príncipe não se lembrasse do rosto
de Ariel. Ela decidiu que queria casar com Eric, e foi conversar com seu
pai:
– Minha filha, você é uma sereia, e não pode amar um humano. Os
humanos tem pernas, e nós temos cauda, portanto você não conseguiria
sobreviver fora do mar.
Muito triste, ela foi procurar a Bruxa dos Mares, e pediu que seu
rabo fosse transformado em pernas. A bruxa pediu em troca sua linda voz.
Ariel concordou com a troca. A bruxa ainda disse que ela teria um
mês para conquistar o príncipe, caso contrário, viraria escrava dos
mares.
A Pequena Sereia, tomou uma poção mágica, e depois desmaiou. Quando
acordou estava em uma linda praia, com o Eric ao seu lado.
Eles se tornaram amigos, e o príncipe levou Ariel para morar no seu
castelo. Ele contou a ela que estava apaixonado por uma moça, mas apenas
se lembrava da linda voz que ouvira.
Como Ariel estava muda, não conseguiu falar de seu amor por ele. O
tempo estava passando e a cada dia Eric se encantava mais com a bondade
de Ariel.
A bruxa percebendo isso, resolveu, que estava na hora de interferir.
Ela se transformou em uma linda moça, e foi procurar o príncipe.
Ela carregava a voz de Ariel em um medalhão pendurado no pescoço.
Quando escutou aquela linda voz, Eric achou que havia encontrado a moça
que o salvara.
Encantado com o acontecimento, foi marcado o casamento. Este seria
realizado no navio do príncipe Eric.
No sair do casamento, por acidente, o medalhão caiu no chão e se
quebrou.
Imediatamente a bruxa voltou a sua antiga forma, e Ariel recuperou
sua voz.
O príncipe percebeu que estava sendo enganado, e expulsou a bruxa do
navio. Ele ficou muito feliz porque descobriu que a sua salvadora era
Ariel.
Os dois se casaram, e o pai de Ariel a transformou em humana para
sempre. Ariel e o príncipe Eric foram muito felizes.