quarta-feira, 7 de abril de 2010

Marinha
















O barco é negro sobre o azul.

Sobre o azul, os peixes são negros.

Desenham malhas negras as redes, sobre o azul.

Sobre o azul, os peixes são negros.
Negras são as vozes dos pescadores,
atirando-se palavras no azul.

É o último azul do mar e do céu.

A noite já vem, dos lados de Burma,
toda negra,
molhada de azul:

– a noite que chega também do mar.

Cecília Meireles

Pescaria
















Cesto de peixes no chão

Cheio de peixes, o mar.

Cheiro de peixe pelo ar.

E peixes no chão.

Chora a espuma pela areia,
na maré cheia.

As mãos do mar vêm e vão,
as mãos do mar pela areia
onde os peixes estão.

As mãos do mar vem e vão,
em vão.
Não chegarão
aos peixes do chão.

Por isso chora, na areia,
a espuma da maré cheia.

Cecilia Meireles

quarta-feira, 31 de março de 2010

















Se eu te dissesse o meu amor...
(Olha o mar como é vasto! Ouve o mar como geme!)

Se eu te dissesse o meu amor!
(É meu braço que treme ou teu braço que treme?)

Se eu te dissesse o meu amor?
(Olha como o céu esplende! Olha como o sol aquece!)

Se eu te dissesse o meu amor...

Mas teu corpo estremece...
A minha alma estremece
como se eu te dissesse
o meu amor...

Menotti del Picchia

domingo, 21 de março de 2010

Vozes do mar




 
















Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d'oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!

Donde vem essa voz, ó mar amigo?...
... Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!

Florbela Espanca

sábado, 20 de março de 2010

Água Doce













Brilha em seu olhar
A chama
Que só brilha em
Quem ama
Tão clara,
Tão raro de se ver

Lado bom do
Ser humano
Água doce
No oceano
Que eu vejo desejo,
Quero ter

Composição: Ivan Lins / Vitor Martins

É doce morrer no mar




 

















É doce morrer no mar,
Nas ondas verdes do mar

A noite que ele não veio foi,
Foi de tristeza pra mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi pra mim

É doce...

Saveiro partiu de noite, foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou.

É doce...

Nas ondas verdes do mar, meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá

(Dorival Caymmi)

quinta-feira, 18 de março de 2010

A origem da sereia





















Essa é uma lenda contada em Cantabria (Espanha) sobre a origem da sereia:



"Uma jovem muito linda, de alva pele, esbelta tinha o costume de percorrer as íngremes escarpas da costa para pescar mariscos e também satisfazer a sua paixão de cantar.



Foi repreendida várias vezes por sua mãe para evitar uma possível desgraça e para moderar-se em suas ininterruptas fugas. Porém a jovem, nunca levou em conta os pedidos da mãe. Muito pelo contrário, deleitava-se a entoar suas canções sobre os penhascos, embriagada de euforia.



Porém, a mãe cansada de sua desobediência, em um momento de raiva lhe lançou a seguinte maldição:



-Assim permita Deus do Céu que te transformes em peixe!



E, imediatamente a bela jovem fugitiva transformou-se em uma belíssima mulher com rabo de peixe".

O poder das sereias





















As sereias têm uma doce e melodiosa voz em que concentram todo o seu poder. Com seu canto podem enfeitiçar e fazer enlouquecer os homens, os pássaros, os peixes, o vento e a água. Como os outros elementais da natureza, se comunicam com todos os seres vivos e são capazes de controlar as forças naturais em seu benefício, dentro de certos limites. Seu poder está associado a lenda negra que conta que elas alcançam seu grau máximo nas noites de lua cheia, quando sobem à superfície e com seus cantos chamam as nevoas, refugiando-se nelas para esperarem os barcos que passam próximos de seus refúgios. Outras vezes, seus cantos são destinados aos ouvidos dos marinheiros que caem enfeitiçados e acabam loucos ou mortos.