domingo, 17 de outubro de 2010

Cais







 












O gesto de partir nada tem de mágico.
Os mares que percorro são profundos
e as noites que miro são escuras.
O barco que me leva, busca um porto
onde eu possa germinar silenciosa.
Os faróis mal iluminam os recifes
e vez por outra um tranco me sacode.
As garrafas de gim estão vazias
e a lucidez me espreita nas balsas
que procuram náufragos e bêbados.
A manhã vem rompendo macia
na boca e nos beijos de uma muIher
saindo das conchas dos sonhos.
O gesto de partir nada tem de mágico.
E ancorado nuns braços
em meio a tormenta, fico.
O gesto de ficar é mais fascínio.
Ah! Quanta ventura em jogar a âncora
e ir ficando, no teu corpo, ir ficando…

Jurema Barreto de Souza












 






A água turva não mostra os peixes ou conchas em baixo; o mesmo faz a mente nublada.
Textos Budistas













Para os peixinhos do aquário, quem troca a água é Deus.

Mário Quintana

domingo, 26 de setembro de 2010























"Cuidado com as ilusões, mocinha, profundas e enganosas feito o mar."

Caio Fernando Abreu

sábado, 17 de julho de 2010


























Muitos marinheiros, atraídos pelo canto sedutor das sereias, pulam de seus navios e mergulham nos oceanos para ir ao encontro delas. Dizem que até hoje muitos deles vivem com suas amadas nas profundezas dos mares. Alguns inclusive ganharam rabo de peixe!

quinta-feira, 17 de junho de 2010





















Peixes, logo vi, regente Netuno, ah Netuno, cuidado com as ilusões mocinha, profundas e enganosas como o mar que é teu elemento.

Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Canção do amor-perfeito

























Eu vi o raio de sol
beijar o outono.
Eu vi na mão dos adeuses
o anel de ouro.
Não quero dizer o dia.
Não posso dizer o dono.

Eu vi bandeiras abertas
sobre o mar largo
e ouvi cantar as sereias.
Longe, num barco,
deixei meus olhos alegres,
trouxe meu sorriso amargo.

Bem no regaço da lua,
já não padeço.
Ai, seja como quiseres,
Amor-Perfeito,
gostaria que ficasses,
mas, se fores, não te esqueço.

Cecilia Meireles

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O Rei do Mar




 















Muitas velas. Muitos remos.
Âncora é outro falar...
Tempo que navegaremos
não se pode calcular.
Vimos as Plêiades. Vemos
agora a Estrela Polar.
Muitas velas. Muitos remos.
Curta vida. Longo mar.

Por água brava ou serena
deixamos nosso cantar,
vendo a voz como é pequena
sobre o comprimento do ar.
Se alguém ouvir, temos pena:
só cantamos para o mar...

Nem tormenta nem tormento
nos poderia parar.
(Muitas velas. Muitos remos.
Âncora é outro falar...)
Andamos entre água e vento
procurando o Rei do Mar. ..

Cecilia Meireles