Beijam as ondas a deserta praia;
Cai do luar a luz serena e pura;
Cavaleiro na areia reclinado
Sonha em hora de amor e de ventura.
As ondinas, em nívea gaze envoltas,
Deixam do vasto mar o seio enorme;
Tímidas vão, acercam-se do moço,
Olham-se e entre si murmuram: “Dorme!”
Uma – mulher enfim – curiosa palpa
De seu penacho a pluma flutuante;
Outra procura decifrar o mote
Que traz escrito o escudo rutilante.
Esta, risonha, olhos de vivo fogo,
Tira-lhe a espada límpida e lustrosa,
E apoiando-se nela, a contemplá-la
Perde-se toda em êxtase amorosa.
Fita-lhe aquela namorados olhos,
E após girar-lhe em torno embriagada,
Diz: “Que formoso estás, ó flor da guerra,
Quanto te eu dera por te ser amada!”
Uma, tomando a mão ao cavaleiro,
Um beijo imprime-lhe; outra, duvidosa,
Audaz por fim, a boca adormecida
Casa num beijo à boca desejosa.
Faz-se de sonso o jovem; caladinho
Finge do sono o plácido desmaio,
E deixa-se beijar pelas ondinas
Da branca lua ao doce e brando raio.
(Noturno de H.Heine)
Os antigos poetas diziam que as canções das ondinas eram ouvidas no vento oeste e que sua vidas eram consagradas ao embelezamento da Terra material.Esta Invocação deverá ser feita, com os pés descalços, em direção ao Norte e próximo de água corrente ou com uma vasilha de água fresca e cristalina:
“Eu vos saúdo, Ondinas, Que constituís a representação do elemento Água; Conservai a pureza da minha alma, como o o Elemento mais precioso, da minha vida e do meu organismo. Fazei-me pleno de sua criação fecunda, e dai-me sempre intuição de forma nobre e correta. Mestres da Água, eu vos saúdo fraternalmente. Amém.”
Com esta Invocação, pode-se obter amor, intuição, sensibilidade e tudo aquilo que a água pode nos dar.
O céu toca o mar no horizonte com seus fios de cabelo azuis...
De quem são os olhos onde vejo o brilho de um sol,
Um Rei alaranjado de douradas vestes incandescentes ?
Um sonho...
Adormecido na espuma branca das ondas
Encontro a calma e a paz que mereço...
Gotas prateadas que cintilam tocam meu rosto,
Despertando o corpo...
Quem és ?
Passa ao longe a gaivota acinzentada
De encontro à chuva que armazena a nuvem...
As águas levemente se agitam...
Quem és ?
Um peixe colorido salta à minha frente
Pairando no ar por um instante apenas,
Dissolvendo-se no espaço...
" Louco ! ", penso...
Mas se é loucura vagar em pensamentos
Ao ontem de minha existência,
É certo que já não sou são !
Olhos pesam e se fecham para o dia...
Corre adiante a luz esverdeada da esmeralda
Que emite o poder de sua alma...
Esperança...
Os longos cabelos sobre os ombros
E as mãos a cobrirem o peito nu...
O colar parece ter a vida do reino em que vive...
Estou só...
" A insanidade da solidão...", divago...
De que vale o homem se seus dias futuros estão mortos ?
Nem o amor ao Criador pode aplacar a dor
De ter a vida vazia...
Sopra um vento frio em meu deserto interior...
Houve um sentido, um dia...
A forma nas sombras de uma noite passada
Encantou meus sentidos adormecidos...
Era veloz e ia e vinha agilmente sob o fio negro do oceano noturno...
De um impulso, vi sua cauda balouçar no ar
E desfalecer ao leve contato com seu lar...
Sonhador...
Sozinho é o homem que crê em seu coração...
Triste da alma que se faz fraca diante dos sentimentos...
Apaixonei-me...
Do momento que se fez fugaz,
Somente guardo a tela dos segundos em que vi seu rosto...
Desperto com o som do bater da brisa
Nas asas do pássaro perdido...
" Seria um canto ? ", me volta breve a esperança...
Mas meu olhar se perde na amplidão da tarde...
O barco, à deriva, mergulha em espera...
" Não... Estarei sempre sozinho com meus sonhos... "
O sol, ao longe, cumprimenta com uma mesura delicada
A irmã noite que se aproxima...
O homem se recolhe e se larga frouxamente sobre a madeira,
E dorme o sono do envelhecimento de seu ser...
Eternamente...
Alexandre Tavares Sergio
A beleza parece ser uma característica comum dos espíritos da água. Onde quer que as encontremos representadas na arte e na escultura, são sempre cheias de graça e simetria. Controlando o elemento água - que sempre foi um símbolo feminino - é natural que os espíritos da água sejam com mais freqüência simbolizados como fêmeas.
Existem muitos grupos de Ondinas. Algumas habitam cataratas, onde podem ser vistas entre os vapores; outras têm o seu habitat nos pântanos, charcos e brejos, entretanto outras, ainda, vivem em claros lagos de montanha. Em geral quase todas as ondinas se parecem com seres humanos na forma e tamanho, embora aquelas que habitamos rios e fontes tenham proporções menores. Normalmente elas vivem em cavernas de corais ou nos juncais à margem dos rios ou das praias.
As Ondinas servem e amam sua rainha, Necksa. Elas são antes de tudo seres emocionais, amigáveis para com a vida humana e que gostam de servir à humanidade. Às vezes são representadas cavalgando golfinhos marinhos e outros peixes grandes, e parecem ter um amor especial pelas flores e plantas, às quais servem de maneira devotada e inteligente .
Náiades são ninfas aquáticas com o dom da cura e da profecia e com certos controles sobre a água. Assemelhavam-se às sereias e, com a voz igualmente bela, elas viviam em fontes e nascentes ou até cachoeiras; deixavam beber dessa água, mas não se banhar delas, e puniam os infratores com amnésia, doenças e até com a morte.
As Náiades se dividem em cinco tipos diferentes:
* Crinéias: Náiades que habitam fontes;
* Limneidas (ou Limnátides): Náiades que habitam os lagos;
* Pegéias: Náiades que habitam nascentes;
* Potâmides: Náiades que habitam os rios;
* Eleionomae: Náiades que habitam os pântanos.
Náiades, vós, que os rios habitais
que os saudosos campos vão regando,
de meus olhos vereis estar manando
outros, que quase aos vossos são iguais.
Dríades, vós, que as setas atirais,
os fugitivos cervos derrubando,
outros olhos vereis que, triunfando,
derrubam corações, que valem mais.
Deixai as aljavas logo, e as águas frias,
e vinde, Ninfas minhas, se quereis
saber como de uns olhos nacem mágoas;
vereis como se passam em vão os dias;
mas não vireis em vão, que cá achareis
nos seus as setas, e nos meus as águas.
Luís Vaz de Camões
Lá está o barquinho de velas brancas, navegando no mar!
Bem que ele poderia navegar só nas baias e enseadas,
onde não há perigo e o mar é sempre manso.
Mas não! Deixando a solidez da terra firme ,
ele se aventura para sentir o vento forte enfunando as velas e
o salpicar da água salgada que salta da quilha contra as
ondas. "Sem nunca ter um porto onde chegar" , ele
navega pelo puro prazer de entrar no mar.
Rubem Alves
Muitas velas. Muitos remos.
Âncora é outro falar...
Tempo que navegaremos
não se pode calcular.
Vimos as Pleiâdes.
Vemos agora a Estrela Polar.
Muitas velas. Muitos remos.
Curta vida. Longo mar.
Cecilia Meireles