segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011











 












Mas o poder das sereias é grande: o da poesia aliada ao conhecimento.

O silêncio da Sereia





















Com a flor do nada
Enlaçada em seus cabelos de crepúsculo
Ela tece um silêncio de farol
Longínqua lanterna
Nos altos campos da espera
Aguarda uma visita externa
Nas quimeras dos seus sonhos
Vira um estranho
De capa azul cintilante
Sonhava que era uma sereia
E que falando por notas musicais
Atraía o visitante
Para o seu jardim de sons imaginários
Mas sempre acordava muda
Lembrando do ser das estrelas...

(Gustavo Adonias)

O canto da sereia




















Ao Luar, o mar contemplava!
Ouvi... O canto da Sereia,
Nas águas... Ela dançava...
Fiquei, encantado na areia...

Longa noite ao luar,
Esperando o mistério...
À beira-mar, fiquei a olhar,
Ouvi... O som do Saltério...

Horas passei... Sentado na areia,
A Sereia vi, um pouco, longe!
Lancei... Às águas, grã-teia,
A Sereia... Fugiu, mais pra longe...

Cintilante o seu belo corpo,
Emergido das cristalinas águas...
Esbelto e atraente corpo
Prateado, nas agitadas águas...

Enfeitiça, a dança, da Sereia,
Balança o corpo nas águas...
Ao som do Saltério e Harpa-eólia,
Cantando, vai a Sereia, sem mágoas...

É a Pérola dos Mares!
Surge na crista da onda...
Fascínio em noites de Luares,
Brilhando recostada com pompa...

Senti... Mavioso o seu canto,
Encheu, meu coração d'amor...
Fiquei, perplexo d'encanto,
Irradiei... Um estranho calor!...

Amor, presente de magia...
Sereia leva-me contigo,
Ficarei louco d'alegria
Sem medo do teu perigo!...

Franck P_LavD

A sereia e o pescador





















Balata

C'est la sirene,
Qui va chanter
La cantilene,
Qui fait aimer.

Sereia
Viver aqui eu não posso
Nem no vale, nem na serra;
Eu não sou filha da terra,
Eu sou sereia do mar.
Correi, ondas, brandamente,
Correi, vinde me buscar.

Nasci no seio das vagas,
Numa gruta de cristal;
Em colunas de coral
O meu berço se embalou.
Ondas, levai-me convosco,
Que eu desta terra não sou.

O amor criou-me entre pérolas
Sobre fúlgidas areias,
Mago canto de sereias
Meus sonos acalentou.
Ondas, levai-me convosco,
Que eu também sereia sou.

Eu não sou filha da terra,
Vivo triste nestas plagas;
Embalada sobre as vagas,
Só no mar quero viver.
Correi, vinde, ó minhas ondas.
A meus pés vinde gemer,

No regaço cristalino
Brandamente me tomai;
Aos plácios de meu pai
Vinde, vinde me levar.
Correi, ondas, pressurosas,
Levai a filha do mar.

E se alguém na terra ingrata
Sentindo loucos amores,
Meus encantos e favores
Insensato desejar,
Em torno a mim, bravas ondas,
Vinde em fúria rebentar.

Em solitário rochedo,
Batido pelas tormentas,
Ide, ó ondas turbulentas,
Ide longe me ocultar.
Rugindo ali noite e dia,
Guardai a filha do mar.

Sentada ao pé de um rochedo,
Com os pés na branca areia,
Assim cantava a sereia
A linda filha do mar.
E a onda mansa, gemendo,
Os pés lhe vinha beijar.

Pescador, que além vogava,
No seu batel escondido,
Absorto prestava ouvido
A tão saudoso cantar,
E a vela e o remo esquecia
Ouvindo a filha do mar.

III

PESCADOR

Não mais lamentes
Em tom magoado
Teu triste fado,
Filha do mar.

Vem a meu barco,
Nos braços meus
Aos lares teus
Te irei levar.

De novo os belos
Paços reais,
Entre os cristais
Irás saudar,

E sobre as finas,
Fulvas areias,
Entre as sereias
Irás cantar.

Embora sejam
Teus ermos lares
Entre os algares
Do fundo mar.

Sejam embora
Negro alcantil,
Que monstros mil
'Stão a guardar,

Onde as tormentas
Sempre batendo,
Com ronco horrendo
Vão rebentar.

Irei, se queres,
Agora mesmo,
Sem medo, a esmo
Te acompanhar.

Meu barco é leve,
Meu braço é forte,
E a própria morte
Sabe afrontar.

Só peço em paga
Da doce lida
Passar a vida
A te adorar,

E a teus joelhos
Sempre prostrado
Teu rosto amado
A contemplar.

Oh! vem comigo,
Vem pressurosa,
Vem, ó formosa
Filha do mar.

IV

Calou-se o barqueiro amante;
Mas depois ouviu, tremendo,
Um canto, que mais ao longe,
Mais ao longe foi morrendo.
A cantar e a fugir
A sereia ia dizendo:

SEREIA

Eu sou pérola das vagas,
Que nao sei, nem quero amar;
O meu peito é como a rocha,
Onde em vão esbarra o mar.
Mancebo, vai noutra parte
Teus amores suspirar.

Do que existe sobre a terra
Nada me pode agradar;
Só amo a Deus nas alturas,
E a liberdade no mar.
Mancebo, vai noutra parte
Teus amores suspirar.

V

Desta canção fugitiva
Os ecos ainda duravam,
E nas praias suspiravam
Entre os bramidos do mar;
E o pescador entre angústias
Sentia o peito estalar.

PESCADOR

Por que foges, branca fada
De formosura sem par?
Por que me escondes teu brilho,
Formosa estrela do mar?...
Ronca em torno a tempestade.
Meu barco vai soçobrar.

Só tu podes no meu peito
Uma esperança plantar;
E as tormentas, que me cercam,
Com tua luz aplacar.
Nestes medonhos abismos
Nao me deixes soçobrar.
Ferve o mar, o céu em chamas

Vem abismos aclarar;
Nestas águas desastrosas
Vai meu barco soçobrar.
Vem salvar-me por piedade,
Formosa estrela do mar.

VI

Longos dias se passaram;
Ninguém mais ouviu cantar
A linda filha das águas
Nem na praia, nem no mar.
E vivia o pescador
Triste e só a definhar.

Se ousava nas ermas praias
Seu queixoso canto alçar,
Só ouvia longe, longe
Uma voz a lhe bradar:
"Mancebo, vai noutra parte
Teus amores suspirar."

VII

Passaram mais dias, meses;
já cansado de pensar
O pescador sem
barco soltou ao mar.
Ei-lo sem norte e sem rumo
Nas ondas a resvalar.

Ei-lo que vai mar em fora.
Nas ondas do mar bravio
Seu amor louco e sombrio
Quer consigo sepultar.
Contra uma rocha empinada
Vai seu barco espedaçar.

Mas eis soa-lhe aos ouvidos
Voz celeste e maviosa,
Em toada lamentosa
Tristes coplas a cantar.
Aos acentos suspirosos
Cala a brisa, e geme o mar.

VIII

SEREIA

Sou moça e sou formosa;
Dos mares sou princesa;
Em graças e beleza
Jamais achei igual.
E vivo aqui sozinha,
Ai céus! para meu mal.

E vivo aqui sozinha
No seio de esplendores;
Ninguém quer meus amores
Ninguém me vem buscar.
E eu sou a mais formosa
Das filhas deste mar.

E eu sou a mais formosa
E a mais alva açucena,
Que sobre a onda serena
Balança o airoso hastil.
Mas nesta solidão
Que serve ser gentil?

Mas nesta solidão
Ninguém vem consolar-me;
E sempre a lastimar-me
Aqui morrerei só.
Ai triste de mim! triste!
Ninguém de mim tem dó.

IX

Ouvindo a canção chorosa
O barqueiro estremeceu,
E entregue a seus devaneios
O leme e a vela esqueceu
E com olhar desvairado
O horizonte percorreu.

Nem no mar, nem no rochedo
Vulto humano percebeu
E esta frase piedosa
Pelos lábios lhe tremeu:
"Esta triste, que assim chora,
É infeliz, como eu."

Depois firme e resoluto
Em pé na proa se ergueu,
E para às alheias mágoas
Juntar o queixume seu
Alçando a voz sobre as vagas
Desta sorte respondeu:

X

PESCADOR

Por entre as ondas bravias,
De mil tormentas batido,
Em busca de um bem perdido
Voga, voga, ó batel meu.
Voga!...um dia saberemos
Onde a ingrata se escondeu.

Houve um dia, uma sereia...
Oh! que linda ela não era!...
Porém tão ingrata e fera,
Que de amor me enlouqueceu.
Dizei, nuas penedias,
Onde a ingrata se escondeu.

Ela deixou-me, - a cruel! -
Entregue a negros pesares,
Lastimando sobre os mares
O triste destino meu.
Dizei-me, ó ondas sonoras,
Se ela de mim se esqueceu

Se nas asas do tufão
Devassando o mar profundo
Na raia extrema do mundo
A meus olhos se escondeu,
Neste barco aventureiro.
Lá mesmo voarei eu.

Se entre monstros marinhos
Lá no mais fundo dos mares,
Em cristalinos algares
Se oculta o retiro seu,
Em meu amor confiado
Lá também descerei eu.

Se entre rochas malditas,
Entre grossos vagalhões,
Defendidos por dragões
Seus palácios escondeu,
Mil mortes desafiando
Lá mesmo chegarei eu.

Por entre as ondas bravias
De mil tormentas batido
Em busca de um bem perdido
Voga, voga, ó batei meu.
Voga!...um dia saberemos,
Onde a ingrata se escondeu.

XI

SEREIA

Nestas praias solitárias
Que procuras, pescador?...
Vens buscar pérola finas,
E corais de alto valor?...
Se tais tesouros desejas,
Voga além, ó pescador.

Que estrela por estes mares
Te conduz, o pescador?...
Queres ser nauta valente,
Deste mares ser o senhor?...
Se tal ambição te ocupa
Passa além, ó pescador.

Os mistérios saber queres
Desta ilha, ó pescador?...
E deste asilo os segredos
Aos olhos do mundo expor?
Se é esse o desejo teu,
Vai-te embora, ó pescador.

Mas se perigos insanos
Afrontando sem pavor,
Nesta ilha solitária
Tu vens procurar amor
A meus braços sem detença,
Corre, voa, ó pescador.

XII

Na base da penedia
O vulto branco surdiu
De uma donzela formosa
Como igual nunca se viu.
Para lá o pescador
O barco seu impeliu.

Saltando na branca areia
Aos pés da bela caiu;
Mas ela com brando riso
Meigas frases proferiu,
Beijou-lhe a fronte incendida
E os alvos braços lhe abriu

O batel abandonado
No pego se submergiu,
E o ditoso par amante
Entre rochas se sumiu,
E por aquelas paragens
Nunca mais ninguém os viu.

Às vezes por horas mortas,
Pelas noites de luar
Ao largo vê-se um barquinho
Solitário a velejar.
Quem vai dentro não se sabe
Nem se vê ninguém remar.

Apenas ouve-se um canto,
Tão triste, que faz chorar;
E os pescadores, que o ouvem,
Começam logo a rezar,
Dizendo consigo: é ela,
É ela, a filha do mar!

Bernardo Guimarães

As Ondinas






 












Beijam as ondas a deserta praia;
Cai do luar a luz serena e pura;
Cavaleiro na areia reclinado
Sonha em hora de amor e de ventura.

As ondinas, em nívea gaze envoltas,
Deixam do vasto mar o seio enorme;
Tímidas vão, acercam-se do moço,
Olham-se e entre si murmuram: “Dorme!”

Uma – mulher enfim – curiosa palpa
De seu penacho a pluma flutuante;
Outra procura decifrar o mote
Que traz escrito o escudo rutilante.

Esta, risonha, olhos de vivo fogo,
Tira-lhe a espada límpida e lustrosa,
E apoiando-se nela, a contemplá-la
Perde-se toda em êxtase amorosa.

Fita-lhe aquela namorados olhos,
E após girar-lhe em torno embriagada,
Diz: “Que formoso estás, ó flor da guerra,
Quanto te eu dera por te ser amada!”

Uma, tomando a mão ao cavaleiro,
Um beijo imprime-lhe; outra, duvidosa,
Audaz por fim, a boca adormecida
Casa num beijo à boca desejosa.

Faz-se de sonso o jovem; caladinho
Finge do sono o plácido desmaio,
E deixa-se beijar pelas ondinas
Da branca lua ao doce e brando raio.

(Noturno de H.Heine)

Invocação às Ondinas


























Os antigos poetas diziam que as canções das ondinas eram ouvidas no vento oeste e que sua vidas eram consagradas ao embelezamento da Terra material.Esta Invocação deverá ser feita, com os pés descalços, em direção ao Norte e próximo de água corrente ou com uma vasilha de água fresca e cristalina:
“Eu vos saúdo, Ondinas, Que constituís a representação do elemento Água; Conservai a pureza da minha alma, como o o Elemento mais precioso, da minha vida e do meu organismo. Fazei-me pleno de sua criação fecunda, e dai-me sempre intuição de forma nobre e correta. Mestres da Água, eu vos saúdo fraternalmente. Amém.”

Com esta Invocação, pode-se obter amor, intuição, sensibilidade e tudo aquilo que a água pode nos dar.

Sereias





















O céu toca o mar no horizonte com seus fios de cabelo azuis...
De quem são os olhos onde vejo o brilho de um sol,
Um Rei alaranjado de douradas vestes incandescentes ?
Um sonho...
Adormecido na espuma branca das ondas
Encontro a calma e a paz que mereço...
Gotas prateadas que cintilam tocam meu rosto,
Despertando o corpo...
Quem és ?
Passa ao longe a gaivota acinzentada
De encontro à chuva que armazena a nuvem...
As águas levemente se agitam...
Quem és ?
Um peixe colorido salta à minha frente
Pairando no ar por um instante apenas,
Dissolvendo-se no espaço...
" Louco ! ", penso...
Mas se é loucura vagar em pensamentos
Ao ontem de minha existência,
É certo que já não sou são !
Olhos pesam e se fecham para o dia...
Corre adiante a luz esverdeada da esmeralda
Que emite o poder de sua alma...
Esperança...
Os longos cabelos sobre os ombros
E as mãos a cobrirem o peito nu...
O colar parece ter a vida do reino em que vive...
Estou só...
" A insanidade da solidão...", divago...
De que vale o homem se seus dias futuros estão mortos ?
Nem o amor ao Criador pode aplacar a dor
De ter a vida vazia...
Sopra um vento frio em meu deserto interior...
Houve um sentido, um dia...
A forma nas sombras de uma noite passada
Encantou meus sentidos adormecidos...
Era veloz e ia e vinha agilmente sob o fio negro do oceano noturno...
De um impulso, vi sua cauda balouçar no ar
E desfalecer ao leve contato com seu lar...
Sonhador...
Sozinho é o homem que crê em seu coração...
Triste da alma que se faz fraca diante dos sentimentos...
Apaixonei-me...
Do momento que se fez fugaz,
Somente guardo a tela dos segundos em que vi seu rosto...
Desperto com o som do bater da brisa
Nas asas do pássaro perdido...
" Seria um canto ? ", me volta breve a esperança...
Mas meu olhar se perde na amplidão da tarde...
O barco, à deriva, mergulha em espera...
" Não... Estarei sempre sozinho com meus sonhos... "
O sol, ao longe, cumprimenta com uma mesura delicada
A irmã noite que se aproxima...
O homem se recolhe e se larga frouxamente sobre a madeira,
E dorme o sono do envelhecimento de seu ser...
Eternamente...

Alexandre Tavares Sergio

Ondinas


























A beleza parece ser uma característica comum dos espíritos da água. Onde quer que as encontremos representadas na arte e na escultura, são sempre cheias de graça e simetria. Controlando o elemento água - que sempre foi um símbolo feminino - é natural que os espíritos da água sejam com mais freqüência simbolizados como fêmeas.
Existem muitos grupos de Ondinas. Algumas habitam cataratas, onde podem ser vistas entre os vapores; outras têm o seu habitat nos pântanos, charcos e brejos, entretanto outras, ainda, vivem em claros lagos de montanha. Em geral quase todas as ondinas se parecem com seres humanos na forma e tamanho, embora aquelas que habitamos rios e fontes tenham proporções menores. Normalmente elas vivem em cavernas de corais ou nos juncais à margem dos rios ou das praias.
As Ondinas servem e amam sua rainha, Necksa. Elas são antes de tudo seres emocionais, amigáveis para com a vida humana e que gostam de servir à humanidade. Às vezes são representadas cavalgando golfinhos marinhos e outros peixes grandes, e parecem ter um amor especial pelas flores e plantas, às quais servem de maneira devotada e inteligente .