sexta-feira, 6 de julho de 2012



Eu quero o mapa das nuvens e um barco bem vagaroso.
Mario Quintana

Atargatis



Atargatis é a deusa síria do céu, do mar, da chuva e da vegetação.
Era uma deusa poderosa com atributos complexos. Como deusa celeste, surgia cercada de águias, viajando sobre as nuvens. Como regente do mar, uma deusa serpente ou peixe. E ainda, a deusa fertilizadora da chuva, com a água vindo das nuvens e das estrelas.
Conta uma lenda antiga que Atargatis desceu do céu como um ovo, do qual surgiu uma linda deusa sereia. E por ser considerada como Mãe dos Peixes, os sírios se recusavam a comer peixes ou pombos, que eram considerados animais sagrados.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Caballitos de mar



O teu silêncio é ave noturna
- Pupila que de remotas torres vigia.
Do filhote, já os trêmulos augúrios;
Do consorte, a fome de rapina.

Tem algo abissal, o teu silêncio
- Pérola onde toda luz ensaia.
Dos cavalos do mar, o galope náutico
E as líquidas crinas;
Das dorsais oceânicas, a geometria do assombro,
O sólido, frontal encanto.

Ato litúrgico, iluminuras, litanias
- o teu silêncio é ainda espargido incenso
( cinza imemorial e odora)
nave dos silêncios góticos que ergui.

(Melhor te amariam os olhos
que distraídos de mim te vissem.)

F. Campanella

Marinha



Desce a noite enrolada em brumas hibernais...
Trágica solidão, vago instante sombrio,
Em que, tonto de medo o olhar não sabe mais
Onde começa o mar e onde acaba o navio

Nem o arfar de uma vaga : o mar parece um rio
De óleo; oxidado o céu de nuvens colossais,
Um zimbório de chumbo acaçapado e frio,
Escondendo no bojo a alma dos temporais.

Nem das águas no espelho o reflexo de um astro...
Apenas o farol, no vértice do mastro
Rubra pupila, a arder, dentro de uma garoa...

E lá vai o navio , espectral, lento e lento,
Como um negro vampiro, enorme sonolento,
Pairando sobre um caos de tênebras, à toa.


Pethion de Villar


terça-feira, 3 de julho de 2012



O mar azul e branco e as luzidias
Pedras –- O arfado espaço
Onde o que está lavado se relava
Para o rito do espanto e do começo
Onde sou a mim mesma devolvida
Em sal espuma e concha regressada
À praia inicial da minha vida.


Sophia de Mello Andresen

segunda-feira, 2 de julho de 2012



Golfinho, meu mestre,
meu coração bate em pedras,
vem e me ensina o sonar.

Me encanta
o molejo dos deuses,
e me chama
o quebranto do mar.


Fernando Campanella


Todo abismo é navegável a barquinhos de papel.


Guimarães Rosa


"Mãe, o que é que é o mar, Mãe?" Mar era longe, muito longe dali, espécie duma lagoa enorme, um mundo d´água sem fim, Mãe mesma nunca tinha avistado o mar, suspirava. "Pois, Mãe, então mar é o que a gente tem saudade?"


Guimarães Rosa