quinta-feira, 26 de julho de 2012



Dormiram de conchinha... Acordaram com uma pérola entre o abraço.
M. M. Soriano


Uma palavra escrita é semelhante a uma pérola.
Johann Goethe

Ainda as pérolas...




Há pérolas caídas pelo chão,
Colar arrebentado.
Sentimento novo, despertado...

Pérolas, antes de magia
Pequenas, belas, reluzentes...
Reverte agora, em agonia.
Transformaram-se em sopro:
Um vento de discórdia.
Pérolas jogadas fora...

Que engano, essas pérolas!
Alegrias vividas,
Mas, dores também sentidas...

Brilham, ofuscam a quem vê...
Entretanto, decepcionam
Como qualquer ser!

Ah, pérolas! Ah, vento!
Não são mais as mesmas:
Divergências de pensamentos...

Fátima Abreu

Pérolas




A pérola sempre foi muito apreciada ao longo da história da humanidade, um exemplo disso é que no apogeu do Império Romano, quando a febre das pérolas estava no auge, Júlio César, conhecido pelas suas conquistas amorosas, ofereceu a Servília, uma pérola no valor de seis milhões de sestércios. Também o general romano Vitélio, estando cheio de dividas, roubou um brinco de pérola à sua mãe, para poder financiar o seu regresso ao exército.

Ninguém sabe quem iniciou a coleta e uso das pérolas. Acredita-se que tribos antigas, que viviam da pesca, provavelmente no sul da Índia, já utilizavam as pérolas descobertas quando as ostras eram abertas para a alimentação. De qualquer forma, a reverência pelas pérolas aumentou através do mundo. O livro sagrado da India, cheio de épicos, faz muitas referências às pérolas. Uma das lendas é de que o deus Hindu Krishna descobriu as pérolas quando ele arrancou a primeira do oceano e presenteou sua filha Pandaia no dia de seu casamento.

Os romanos e os egípcios valorizavam as pérolas mais do que qualquer outra gema. Para convencer Roma que o Egito possuía uma herança e prosperidade acima de qualquer conquista, Cleopatra apostou com Marco Antônio que ela poderia dar o jantar mais caro da história. Assim, Cleopatra apareceu com um prato vazio e um jarro de vinho ou vinagre. Ela esmagou uma grande pérola de um par de brincos, dissolveu no líquido e tomou. Atônito, Marco Antônio admitiu que ela havia ganhado.



Os Árabes têm demonstrado enorme fascínio pelas pérolas. A origem de sua afeição por pérolas está no Koran, especialmente com a descrição do Paraíso, que diz: “As pedras são pérolas e jacintos; as frutas das árvores são pérolas e esmeraldas e cada pessoa admitida nas maravilhas do reino dos céus é provido com uma tenda de pérolas, jacintos e esmeraldas, coroado com pérolas de incomparável lustro e é atendido por lindas jovens como pérolas escondidas”.

Brinco de pérolas




Suave semblante, áurea adolescência...
Encerra o encanto da juventude;
Olhos verdes lampejam de virtude,
Florescem, cristalinos na sua essência.

Lábios que esboçam desejo e ardência,
Ou talvez surpresa, ou lassitude!
Lábios densos, sedentos; plenitude
De frescura, volúpia e inocência.

Ornada com toucado de cetim
Ouro e azul, contrasta com o marfim
Da sua tez macia, qual coroa sumptuosa.

Moça com brinco de pérola! Tela
Sublime retrata uma jovem bela...
Do olhar de Vermeer eclodiu uma rosa!

Luís R Santos





Sem amor, Nem uma gota sequer se transformaria em pérola.
Rumi


Enclausuro-me,
Como se fosse uma pérola em transformação,
À espera...
Myrian Benatti

A ostra e a pérola



Ingrata é a pérola,

abandonando a ostra

que a abrigou,

 a fez crescer preciosa.

E  a pérola indiferente,

no colar da madame, cintilante,

vê a ostra ser devorada

em fino restaurante.



Sérgio Morenno