domingo, 12 de agosto de 2012
Bastava-nos Amar
Bastava-nos amar. E não bastava
o mar. E o corpo? O corpo que se enleia?
O vento como um barco: a navegar.
Pelo mar. Por um rio ou uma veia.
Bastava-nos ficar. E não bastava
o mar a querer doer em cada ideia.
Já não bastava olhar. Urgente: amar.
E ficar. E fazermos uma teia.
Respirar. Respirar. Até que o mar
pudesse ser amor em maré cheia.
E bastava. Bastava respirar
a tua pele molhada de sereia.
Bastava, sim, encher o peito de ar.
Fazer amor contigo sobre a areia.
Joaquim Pessoa, in 'Português Suave'
Trocadas pelas sereias
Douradas searas cor de areias
P´ra onde foi fugir o vosso mar?
Trocou-vos ele por belas sereias
Por seus cantos e versos d´encantar?
Ficaram vocês sós a suspirar?
Suaves brisas que vos torturam
Lamentos mudos se ouvem no ar
Levando longe o que murmuram.
Será que as escuta, esse mar?
Se são saudades o seu marulhar
Podia ele a terra galgar
Num gesto d´amor as ir visitar.
Quem ama tudo faz p´ra alcançar
O sonho impossível realizar.
Maria Sousa
Sereia
Naufragam todos os barcos
Que passam ao largo de ti,
Encantas-lhes os marinheiros,
Ficam sem saber de si.
És sereia enganadora,
Com teus cantos de encantar,
Coitado de quem se afoita,
Nas águas frias do mar,
Onde ficas noite e dia,
Lançando os teus feitiços,
Cantando sem alegria,
Para os corações mortiços.
Já nasceste assim sereia,
Nas dunas à beira-mar,
Nasceste em berço de areia
Com Neptuno a embalar.
Nas dunas à beira-mar,
Nasceste em berço de areia
Com Neptuno a embalar.
Os que pensam estar na rota,
Mais segura deste mundo,
Ao passarem na tua ilhota,
O seu barco vai ao fundo.
Coitados dos navegantes,
Não sabem como escapar,
É poderosa a magia,
Que os leva a naufragar;
Mesmo que avisados,
Por outros que lá passaram,
Querem tentar ser primeiros,
Daqueles que te enganaram.
Mais segura deste mundo,
Ao passarem na tua ilhota,
O seu barco vai ao fundo.
Coitados dos navegantes,
Não sabem como escapar,
É poderosa a magia,
Que os leva a naufragar;
Mesmo que avisados,
Por outros que lá passaram,
Querem tentar ser primeiros,
Daqueles que te enganaram.
Já nasceste assim sereia,
Nas dunas à beira-mar,
Nasceste em berço de areia
Com Neptuno a embalar.
Só um deles foi Ulisses,Nas dunas à beira-mar,
Nasceste em berço de areia
Com Neptuno a embalar.
Mas guarda-lo bem, não o mostras,
Encantou-te o coração
Desfazes os dos outros e gostas.
Só um deles foi capaz
Em noite de distracção,
Ir montado no seu barco
E roubar-te o coração.
Só há um afortunado,
Quem dera que fosse eu,
Fiquei por ti encantado
Mas o teu amor venceu.
Já nasceste assim sereia,
Nas dunas à beira-mar,
Nasceste em berço de areia
Com Neptuno a embalar.
Nas dunas à beira-mar,
Nasceste em berço de areia
Com Neptuno a embalar.
sábado, 11 de agosto de 2012
Sereia e os cisnes
Olhar para a vastidão
Quando tão perto se tem uma sereia
A dançar uma linda canção
Que tocada pelos cisnes é perfeita
..
O pôr do sol cria ilusões
E uma floresta se consegue vislumbrar
Naquele horizonte de emoções
Que se sente a cada olhar
..
As montanhas são o público
O oceano a orquestra
O cenário é ideal
Para o concerto que desperta
..
Ouvem-se violinos a tocar
E a dança não podia ser mais perfeita
Até uma borboleta a voar
Pára para tão maravilhosa descoberta
..
E o sol vai caindo
E a sereia começa a mergulhar
Foi assim o pequeno concerto
Que fez a mais bela sereia dançar
Blue Heaven
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Canção do Amor-Perfeito
Eu vi o raio de sol
beijar o outono.
Eu vi na mão dos adeuses
o anel de ouro.
Não quero dizer o dia.
Não posso dizer o dono.
Eu vi bandeiras abertas
sobre o mar largo
e ouvi cantar as sereias.
Longe, num barco,
deixei meus olhos alegres,
trouxe meu sorriso amargo.
Bem no regaço da lua,
já não padeço.
Ai, seja como quiseres,
Amor-Perfeito,
gostaria que ficasses,
mas, se fores, não te esqueço.
Cecília Meireles, in 'Retrato Natural'
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