Mostrando postagens com marcador Sereias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sereias. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 28 de maio de 2013
A Lenda da Sereia
Nos primórdios do povoamento das Flores e em época imprecisa, estava um rapaz de cabelo aloirado e olhos azuis à pesca numa ponta, quando lhe pareceu ter apanhado um peixe. Viu umas bolhas a saírem da água, e qual não foi o seu espanto ao ver emergir o tronco nu de uma lindíssima rapariga. Tão intenso e luminoso era o seu cabelo que parecia ruiva.
Perante esta visão e sem hesitar demais, o jovem pescador atirou-se ao mar e nadou até chegar à linda rapariga. Mas a ruiva, vinda do mar, revelou então as escamas da sua cauda de peixe. Era uma sereia e não podia ir para terra senão morreria.
O amor que o rapaz lhe manifestou foi tão grande que a sereia, comovida e extasiada, lhe revelou que a única solução possível, seria ele arrancar as guelras que ela possuía.
Apaixonadíssimo, o jovem pescador venceu o medo e o horror e arrancou-lhe as guelras. Mal a jovem sereia se levantou de entre as pedras, o rabo de peixe desapareceu e transformou-se em duas formosas pernas de mulher. Em breve, o casal casou e teve filhos ruivinhos e de olhos azuis como os do pai, e tal como todas as outras lendas, viveram felizes e contentes para sempre.
domingo, 12 de agosto de 2012
Sereia
Naufragam todos os barcos
Que passam ao largo de ti,
Encantas-lhes os marinheiros,
Ficam sem saber de si.
És sereia enganadora,
Com teus cantos de encantar,
Coitado de quem se afoita,
Nas águas frias do mar,
Onde ficas noite e dia,
Lançando os teus feitiços,
Cantando sem alegria,
Para os corações mortiços.
Já nasceste assim sereia,
Nas dunas à beira-mar,
Nasceste em berço de areia
Com Neptuno a embalar.
Nas dunas à beira-mar,
Nasceste em berço de areia
Com Neptuno a embalar.
Os que pensam estar na rota,
Mais segura deste mundo,
Ao passarem na tua ilhota,
O seu barco vai ao fundo.
Coitados dos navegantes,
Não sabem como escapar,
É poderosa a magia,
Que os leva a naufragar;
Mesmo que avisados,
Por outros que lá passaram,
Querem tentar ser primeiros,
Daqueles que te enganaram.
Mais segura deste mundo,
Ao passarem na tua ilhota,
O seu barco vai ao fundo.
Coitados dos navegantes,
Não sabem como escapar,
É poderosa a magia,
Que os leva a naufragar;
Mesmo que avisados,
Por outros que lá passaram,
Querem tentar ser primeiros,
Daqueles que te enganaram.
Já nasceste assim sereia,
Nas dunas à beira-mar,
Nasceste em berço de areia
Com Neptuno a embalar.
Só um deles foi Ulisses,Nas dunas à beira-mar,
Nasceste em berço de areia
Com Neptuno a embalar.
Mas guarda-lo bem, não o mostras,
Encantou-te o coração
Desfazes os dos outros e gostas.
Só um deles foi capaz
Em noite de distracção,
Ir montado no seu barco
E roubar-te o coração.
Só há um afortunado,
Quem dera que fosse eu,
Fiquei por ti encantado
Mas o teu amor venceu.
Já nasceste assim sereia,
Nas dunas à beira-mar,
Nasceste em berço de areia
Com Neptuno a embalar.
Nas dunas à beira-mar,
Nasceste em berço de areia
Com Neptuno a embalar.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
O canto da sereia

A imagem estereotipada das sereias é que têm uma doce e melodiosa voz em que concentram todo o seu poder. Com seu canto podem enfeitiçar e fazer enlouquecer os homens, os pássaros, os peixes, o vento e a água. Como os outros elementais da natureza, se comunicam com todos os seres vivos e são capazes de controlar as forças naturais em seu benefício, dentro de certos limites. Seu poder está associado a lenda negra que conta que elas alcançam seu grau máximo nas noites de lua cheia, quando sobem à superfície e com seus cantos chamam as nevoas, refugiando-se nelas para esperarem os barcos que passam próximos de seus refúgios. Outras vezes, seus cantos são destinados aos ouvidos dos marinheiros que caem enfeitiçados e acabam loucos ou mortos.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
As sereias: "que a todos os homens encantam"

“A voz doce como favo de mel” (Homero)
Ao longo do tempo, as sereias mudaram de forma. Seu primeiro historiador, o rapsodo do livro XII da Odisséia, não conta como eram; para Ovídio, são aves de plumagem avermelhada e rosto de virgem; para Apolônio de Rodes, da metade do corpo para cima são mulheres e da metada para baixo aves marinhas; para o mestre Tirso de Molina (e para a heráldica), “metade mulheres, metade peixes”. Não menos discutível é seu gênero; o dicionário clássico de Lemprière entende que são ninfas, o de Quicherat que são monstros, e o de Grimal que são demônios. Moram numa ilha do poente, perto da ilha de Circe, mas o cadáver de uma delas, Partênope, foi encontrado na Campânia e deu seu nome à famosa cidade que agora se chama Nápoles, e o geográfo Estrabão viu sua sepultura e assistiu aos jogos ginásticos celebrados periodicamente para honrar sua memória.
A Odisséia conta que as sereias atraíam os navegantes e os levavam à ruína, e que Ulisses, para ouvir seu canto e não perecer, tapou os ouvidos dos remadores com cera e ordenou que o amarrassem ao mastro. Para tentá-lo, as sereias lhe ofereceram o conhecimento de todas as coisas do mundo.
Uma tradição recolhida pelo mitólogo Apolodoro em sua Biblioteca narra que Orfeu, a bordo da nave dos argonautas, cantou com mais doçura que as sereias e que estas se jogaram no mar e se transformaram em rochedos, porque sua lei era morrer quando alguém não fosse afetado por seu feitiço. A esfinge também se precipitou das alturas quando adivinharam seu enigma.
BORGES, Jorge Luis. O livro dos seres imaginários.
O silêncio da Sereia

Com a flor do nada
Enlaçada em seus cabelos de crepúsculo
Ela tece um silêncio de farol
Longínqua lanterna
Nos altos campos da espera
Aguarda uma visita externa
Nas quimeras dos seus sonhos
Vira um estranho
De capa azul cintilante
Sonhava que era uma sereia
E que falando por notas musicais
Atraía o visitante
Para o seu jardim de sons imaginários
Mas sempre acordava muda
Lembrando do ser das estrelas...
(Gustavo Adonias)
O canto da sereia

Ao Luar, o mar contemplava!
Ouvi... O canto da Sereia,
Nas águas... Ela dançava...
Fiquei, encantado na areia...
Longa noite ao luar,
Esperando o mistério...
À beira-mar, fiquei a olhar,
Ouvi... O som do Saltério...
Horas passei... Sentado na areia,
A Sereia vi, um pouco, longe!
Lancei... Às águas, grã-teia,
A Sereia... Fugiu, mais pra longe...
Cintilante o seu belo corpo,
Emergido das cristalinas águas...
Esbelto e atraente corpo
Prateado, nas agitadas águas...
Enfeitiça, a dança, da Sereia,
Balança o corpo nas águas...
Ao som do Saltério e Harpa-eólia,
Cantando, vai a Sereia, sem mágoas...
É a Pérola dos Mares!
Surge na crista da onda...
Fascínio em noites de Luares,
Brilhando recostada com pompa...
Senti... Mavioso o seu canto,
Encheu, meu coração d'amor...
Fiquei, perplexo d'encanto,
Irradiei... Um estranho calor!...
Amor, presente de magia...
Sereia leva-me contigo,
Ficarei louco d'alegria
Sem medo do teu perigo!...
Franck P_LavD
A sereia e o pescador

Balata
C'est la sirene,
Qui va chanter
La cantilene,
Qui fait aimer.
Sereia
Viver aqui eu não posso
Nem no vale, nem na serra;
Eu não sou filha da terra,
Eu sou sereia do mar.
Correi, ondas, brandamente,
Correi, vinde me buscar.
Nasci no seio das vagas,
Numa gruta de cristal;
Em colunas de coral
O meu berço se embalou.
Ondas, levai-me convosco,
Que eu desta terra não sou.
O amor criou-me entre pérolas
Sobre fúlgidas areias,
Mago canto de sereias
Meus sonos acalentou.
Ondas, levai-me convosco,
Que eu também sereia sou.
Eu não sou filha da terra,
Vivo triste nestas plagas;
Embalada sobre as vagas,
Só no mar quero viver.
Correi, vinde, ó minhas ondas.
A meus pés vinde gemer,
No regaço cristalino
Brandamente me tomai;
Aos plácios de meu pai
Vinde, vinde me levar.
Correi, ondas, pressurosas,
Levai a filha do mar.
E se alguém na terra ingrata
Sentindo loucos amores,
Meus encantos e favores
Insensato desejar,
Em torno a mim, bravas ondas,
Vinde em fúria rebentar.
Em solitário rochedo,
Batido pelas tormentas,
Ide, ó ondas turbulentas,
Ide longe me ocultar.
Rugindo ali noite e dia,
Guardai a filha do mar.
Sentada ao pé de um rochedo,
Com os pés na branca areia,
Assim cantava a sereia
A linda filha do mar.
E a onda mansa, gemendo,
Os pés lhe vinha beijar.
Pescador, que além vogava,
No seu batel escondido,
Absorto prestava ouvido
A tão saudoso cantar,
E a vela e o remo esquecia
Ouvindo a filha do mar.
III
PESCADOR
Não mais lamentes
Em tom magoado
Teu triste fado,
Filha do mar.
Vem a meu barco,
Nos braços meus
Aos lares teus
Te irei levar.
De novo os belos
Paços reais,
Entre os cristais
Irás saudar,
E sobre as finas,
Fulvas areias,
Entre as sereias
Irás cantar.
Embora sejam
Teus ermos lares
Entre os algares
Do fundo mar.
Sejam embora
Negro alcantil,
Que monstros mil
'Stão a guardar,
Onde as tormentas
Sempre batendo,
Com ronco horrendo
Vão rebentar.
Irei, se queres,
Agora mesmo,
Sem medo, a esmo
Te acompanhar.
Meu barco é leve,
Meu braço é forte,
E a própria morte
Sabe afrontar.
Só peço em paga
Da doce lida
Passar a vida
A te adorar,
E a teus joelhos
Sempre prostrado
Teu rosto amado
A contemplar.
Oh! vem comigo,
Vem pressurosa,
Vem, ó formosa
Filha do mar.
IV
Calou-se o barqueiro amante;
Mas depois ouviu, tremendo,
Um canto, que mais ao longe,
Mais ao longe foi morrendo.
A cantar e a fugir
A sereia ia dizendo:
SEREIA
Eu sou pérola das vagas,
Que nao sei, nem quero amar;
O meu peito é como a rocha,
Onde em vão esbarra o mar.
Mancebo, vai noutra parte
Teus amores suspirar.
Do que existe sobre a terra
Nada me pode agradar;
Só amo a Deus nas alturas,
E a liberdade no mar.
Mancebo, vai noutra parte
Teus amores suspirar.
V
Desta canção fugitiva
Os ecos ainda duravam,
E nas praias suspiravam
Entre os bramidos do mar;
E o pescador entre angústias
Sentia o peito estalar.
PESCADOR
Por que foges, branca fada
De formosura sem par?
Por que me escondes teu brilho,
Formosa estrela do mar?...
Ronca em torno a tempestade.
Meu barco vai soçobrar.
Só tu podes no meu peito
Uma esperança plantar;
E as tormentas, que me cercam,
Com tua luz aplacar.
Nestes medonhos abismos
Nao me deixes soçobrar.
Ferve o mar, o céu em chamas
Vem abismos aclarar;
Nestas águas desastrosas
Vai meu barco soçobrar.
Vem salvar-me por piedade,
Formosa estrela do mar.
VI
Longos dias se passaram;
Ninguém mais ouviu cantar
A linda filha das águas
Nem na praia, nem no mar.
E vivia o pescador
Triste e só a definhar.
Se ousava nas ermas praias
Seu queixoso canto alçar,
Só ouvia longe, longe
Uma voz a lhe bradar:
"Mancebo, vai noutra parte
Teus amores suspirar."
VII
Passaram mais dias, meses;
já cansado de pensar
O pescador sem
barco soltou ao mar.
Ei-lo sem norte e sem rumo
Nas ondas a resvalar.
Ei-lo que vai mar em fora.
Nas ondas do mar bravio
Seu amor louco e sombrio
Quer consigo sepultar.
Contra uma rocha empinada
Vai seu barco espedaçar.
Mas eis soa-lhe aos ouvidos
Voz celeste e maviosa,
Em toada lamentosa
Tristes coplas a cantar.
Aos acentos suspirosos
Cala a brisa, e geme o mar.
VIII
SEREIA
Sou moça e sou formosa;
Dos mares sou princesa;
Em graças e beleza
Jamais achei igual.
E vivo aqui sozinha,
Ai céus! para meu mal.
E vivo aqui sozinha
No seio de esplendores;
Ninguém quer meus amores
Ninguém me vem buscar.
E eu sou a mais formosa
Das filhas deste mar.
E eu sou a mais formosa
E a mais alva açucena,
Que sobre a onda serena
Balança o airoso hastil.
Mas nesta solidão
Que serve ser gentil?
Mas nesta solidão
Ninguém vem consolar-me;
E sempre a lastimar-me
Aqui morrerei só.
Ai triste de mim! triste!
Ninguém de mim tem dó.
IX
Ouvindo a canção chorosa
O barqueiro estremeceu,
E entregue a seus devaneios
O leme e a vela esqueceu
E com olhar desvairado
O horizonte percorreu.
Nem no mar, nem no rochedo
Vulto humano percebeu
E esta frase piedosa
Pelos lábios lhe tremeu:
"Esta triste, que assim chora,
É infeliz, como eu."
Depois firme e resoluto
Em pé na proa se ergueu,
E para às alheias mágoas
Juntar o queixume seu
Alçando a voz sobre as vagas
Desta sorte respondeu:
X
PESCADOR
Por entre as ondas bravias,
De mil tormentas batido,
Em busca de um bem perdido
Voga, voga, ó batel meu.
Voga!...um dia saberemos
Onde a ingrata se escondeu.
Houve um dia, uma sereia...
Oh! que linda ela não era!...
Porém tão ingrata e fera,
Que de amor me enlouqueceu.
Dizei, nuas penedias,
Onde a ingrata se escondeu.
Ela deixou-me, - a cruel! -
Entregue a negros pesares,
Lastimando sobre os mares
O triste destino meu.
Dizei-me, ó ondas sonoras,
Se ela de mim se esqueceu
Se nas asas do tufão
Devassando o mar profundo
Na raia extrema do mundo
A meus olhos se escondeu,
Neste barco aventureiro.
Lá mesmo voarei eu.
Se entre monstros marinhos
Lá no mais fundo dos mares,
Em cristalinos algares
Se oculta o retiro seu,
Em meu amor confiado
Lá também descerei eu.
Se entre rochas malditas,
Entre grossos vagalhões,
Defendidos por dragões
Seus palácios escondeu,
Mil mortes desafiando
Lá mesmo chegarei eu.
Por entre as ondas bravias
De mil tormentas batido
Em busca de um bem perdido
Voga, voga, ó batei meu.
Voga!...um dia saberemos,
Onde a ingrata se escondeu.
XI
SEREIA
Nestas praias solitárias
Que procuras, pescador?...
Vens buscar pérola finas,
E corais de alto valor?...
Se tais tesouros desejas,
Voga além, ó pescador.
Que estrela por estes mares
Te conduz, o pescador?...
Queres ser nauta valente,
Deste mares ser o senhor?...
Se tal ambição te ocupa
Passa além, ó pescador.
Os mistérios saber queres
Desta ilha, ó pescador?...
E deste asilo os segredos
Aos olhos do mundo expor?
Se é esse o desejo teu,
Vai-te embora, ó pescador.
Mas se perigos insanos
Afrontando sem pavor,
Nesta ilha solitária
Tu vens procurar amor
A meus braços sem detença,
Corre, voa, ó pescador.
XII
Na base da penedia
O vulto branco surdiu
De uma donzela formosa
Como igual nunca se viu.
Para lá o pescador
O barco seu impeliu.
Saltando na branca areia
Aos pés da bela caiu;
Mas ela com brando riso
Meigas frases proferiu,
Beijou-lhe a fronte incendida
E os alvos braços lhe abriu
O batel abandonado
No pego se submergiu,
E o ditoso par amante
Entre rochas se sumiu,
E por aquelas paragens
Nunca mais ninguém os viu.
Às vezes por horas mortas,
Pelas noites de luar
Ao largo vê-se um barquinho
Solitário a velejar.
Quem vai dentro não se sabe
Nem se vê ninguém remar.
Apenas ouve-se um canto,
Tão triste, que faz chorar;
E os pescadores, que o ouvem,
Começam logo a rezar,
Dizendo consigo: é ela,
É ela, a filha do mar!
Bernardo Guimarães
As Ondinas

Beijam as ondas a deserta praia;
Cai do luar a luz serena e pura;
Cavaleiro na areia reclinado
Sonha em hora de amor e de ventura.
As ondinas, em nívea gaze envoltas,
Deixam do vasto mar o seio enorme;
Tímidas vão, acercam-se do moço,
Olham-se e entre si murmuram: “Dorme!”
Uma – mulher enfim – curiosa palpa
De seu penacho a pluma flutuante;
Outra procura decifrar o mote
Que traz escrito o escudo rutilante.
Esta, risonha, olhos de vivo fogo,
Tira-lhe a espada límpida e lustrosa,
E apoiando-se nela, a contemplá-la
Perde-se toda em êxtase amorosa.
Fita-lhe aquela namorados olhos,
E após girar-lhe em torno embriagada,
Diz: “Que formoso estás, ó flor da guerra,
Quanto te eu dera por te ser amada!”
Uma, tomando a mão ao cavaleiro,
Um beijo imprime-lhe; outra, duvidosa,
Audaz por fim, a boca adormecida
Casa num beijo à boca desejosa.
Faz-se de sonso o jovem; caladinho
Finge do sono o plácido desmaio,
E deixa-se beijar pelas ondinas
Da branca lua ao doce e brando raio.
(Noturno de H.Heine)
Sereias

O céu toca o mar no horizonte com seus fios de cabelo azuis...
De quem são os olhos onde vejo o brilho de um sol,
Um Rei alaranjado de douradas vestes incandescentes ?
Um sonho...
Adormecido na espuma branca das ondas
Encontro a calma e a paz que mereço...
Gotas prateadas que cintilam tocam meu rosto,
Despertando o corpo...
Quem és ?
Passa ao longe a gaivota acinzentada
De encontro à chuva que armazena a nuvem...
As águas levemente se agitam...
Quem és ?
Um peixe colorido salta à minha frente
Pairando no ar por um instante apenas,
Dissolvendo-se no espaço...
" Louco ! ", penso...
Mas se é loucura vagar em pensamentos
Ao ontem de minha existência,
É certo que já não sou são !
Olhos pesam e se fecham para o dia...
Corre adiante a luz esverdeada da esmeralda
Que emite o poder de sua alma...
Esperança...
Os longos cabelos sobre os ombros
E as mãos a cobrirem o peito nu...
O colar parece ter a vida do reino em que vive...
Estou só...
" A insanidade da solidão...", divago...
De que vale o homem se seus dias futuros estão mortos ?
Nem o amor ao Criador pode aplacar a dor
De ter a vida vazia...
Sopra um vento frio em meu deserto interior...
Houve um sentido, um dia...
A forma nas sombras de uma noite passada
Encantou meus sentidos adormecidos...
Era veloz e ia e vinha agilmente sob o fio negro do oceano noturno...
De um impulso, vi sua cauda balouçar no ar
E desfalecer ao leve contato com seu lar...
Sonhador...
Sozinho é o homem que crê em seu coração...
Triste da alma que se faz fraca diante dos sentimentos...
Apaixonei-me...
Do momento que se fez fugaz,
Somente guardo a tela dos segundos em que vi seu rosto...
Desperto com o som do bater da brisa
Nas asas do pássaro perdido...
" Seria um canto ? ", me volta breve a esperança...
Mas meu olhar se perde na amplidão da tarde...
O barco, à deriva, mergulha em espera...
" Não... Estarei sempre sozinho com meus sonhos... "
O sol, ao longe, cumprimenta com uma mesura delicada
A irmã noite que se aproxima...
O homem se recolhe e se larga frouxamente sobre a madeira,
E dorme o sono do envelhecimento de seu ser...
Eternamente...
Alexandre Tavares Sergio
sábado, 17 de julho de 2010
quinta-feira, 18 de março de 2010
A origem da sereia

Essa é uma lenda contada em Cantabria (Espanha) sobre a origem da sereia:
"Uma jovem muito linda, de alva pele, esbelta tinha o costume de percorrer as íngremes escarpas da costa para pescar mariscos e também satisfazer a sua paixão de cantar.
Foi repreendida várias vezes por sua mãe para evitar uma possível desgraça e para moderar-se em suas ininterruptas fugas. Porém a jovem, nunca levou em conta os pedidos da mãe. Muito pelo contrário, deleitava-se a entoar suas canções sobre os penhascos, embriagada de euforia.
Porém, a mãe cansada de sua desobediência, em um momento de raiva lhe lançou a seguinte maldição:
-Assim permita Deus do Céu que te transformes em peixe!
E, imediatamente a bela jovem fugitiva transformou-se em uma belíssima mulher com rabo de peixe".
O poder das sereias

As sereias têm uma doce e melodiosa voz em que concentram todo o seu poder. Com seu canto podem enfeitiçar e fazer enlouquecer os homens, os pássaros, os peixes, o vento e a água. Como os outros elementais da natureza, se comunicam com todos os seres vivos e são capazes de controlar as forças naturais em seu benefício, dentro de certos limites. Seu poder está associado a lenda negra que conta que elas alcançam seu grau máximo nas noites de lua cheia, quando sobem à superfície e com seus cantos chamam as nevoas, refugiando-se nelas para esperarem os barcos que passam próximos de seus refúgios. Outras vezes, seus cantos são destinados aos ouvidos dos marinheiros que caem enfeitiçados e acabam loucos ou mortos.
As formas das sereias

As sereias, dentro de suas múltiplas habilidades, podem trocar de forma. A imagem mais comum na Antiguidade Clássica, foi a de mulher-ave, conhecida também como Hárpia, para só na época medieval per se convertido em mulher-peixe.
A sereia-hárpia, cuja imagem apresenta um rosto de mulher e o resto de uma ave rapina, personifica as tempestades e a morte, sendo encarregada de raptar os seres humanos para logo oferecê-los ao deus do inferno. Esse ser aparece descrito por Homero e sobrevive na época de São Isidoro, mantendo-se inclusive até o século XII nas representações das igrejas romanas, porém já não são vistas na arte gótica.
Há também, alguns relatos que uma sereia pode desintegrar sua cauda de peixe e converter-se em uma mulher de aspecto completamente humano. Para Nancy Arrowsmith, quando viajam pelo mar, só podem tomar a forma de mulher-peixe ou golfinho e se o fazem pelo ar, aparecem como gaivotas ou águias (essa é uma qualidade mais própria das nereidas).
Sua altura habitual é de um metro e meio. São muito belas e adoram jóias e pedras preciosas. Como o resto das fadas dormem durante todo o dia e somente é possível vê-las ao amanhecer ou no pôr-do-sol.
Sereias

Segundo uma lenda, no ano 558, uns pescadores de Belfast Lough (Irlanda do Norte), ouviram o canto de uma sereia e foram pescá-la com suas redes.
Conseguiram resgatar uma sereia que se chamava Liban, filha de Eochaidh, na praia de Ollarbha, na rede de Beon, filho de Inli. A colocaram num aquário, do mesmo modo que um peixe e ali ela permaneceu por durante 300 anos. Durante esse tempo, desejou ardentemente por sua liberdade. Uns monges piedosos resolveram libertá-la, mas antes a batizaram segundo o rito cristão, dando-lhe o nome de Murgen, que significa "nascida no mar". Depois desejou a morte para salvar sua alma. Desde do dia que morreu ficou conhecida como a Santa Murgen, aparecendo com essa denominação em certos almanaques antigos e no santoral irlandês, sendo atribuídos à ela vários milagres.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Dinamarca
Soneto da Sereia

Quando vejo na praia a bela sereia
Meu coração queima em ardor.
Será o fogo da bela na areia,
Ou será a chama queimando de amor?
A bela que passa marcando a areia,
Traz fogo à água com marcas de amor.
O fogo ardente faz bela a sereia,
A musa da água que arde em calor.
O mar de fogo beijando a areia
Incendeia a praia, braseia o coração.
Será a magia da bela sereia?
Será o fogo da beleza alheia?
Sonhos sublimes sonhados em vão,
Solenes sonhos… sonhadas sereias.
A sereia e o pescador

C’est la sirene,
Qui va chanter
La cantilene,
Qui fait aimer.
Sereia
Viver aqui eu não posso
Nem no vale, nem na serra;
Eu não sou filha da terra,
Eu sou sereia do mar.
Correi, ondas, brandamente,
Correi, vinde me buscar.
Nasci no seio das vagas,
Numa gruta de cristal;
Em colunas de coral
O meu berço se embalou.
Ondas, levai-me convosco,
Que eu desta terra não sou.
O amor criou-me entre pérolas
Sobre fúlgidas areias,
Mago canto de sereias
Meus sonos acalentou.
Ondas, levai-me convosco,
Que eu também sereia sou.
Eu não sou filha da terra,
Vivo triste nestas plagas;
Embalada sobre as vagas,
Só no mar quero viver.
Correi, vinde, ó minhas ondas.
A meus pés vinde gemer,
No regaço cristalino
Brandamente me tomai;
Aos plácios de meu pai
Vinde, vinde me levar.
Correi, ondas, pressurosas,
Levai a filha do mar.
E se alguém na terra ingrata
Sentindo loucos amores,
Meus encantos e favores
Insensato desejar,
Em torno a mim, bravas ondas,
Vinde em fúria rebentar.
Em solitário rochedo,
Batido pelas tormentas,
Ide, ó ondas turbulentas,
Ide longe me ocultar.
Rugindo ali noite e dia,
Guardai a filha do mar.
Sentada ao pé de um rochedo,
Com os pés na branca areia,
Assim cantava a sereia
A linda filha do mar.
E a onda mansa, gemendo,
Os pés lhe vinha beijar.
Pescador, que além vogava,
No seu batel escondido,
Absorto prestava ouvido
A tão saudoso cantar,
E a vela e o remo esquecia
Ouvindo a filha do mar.
III
PESCADOR
Não mais lamentes
Em tom magoado
Teu triste fado,
Filha do mar.
Vem a meu barco,
Nos braços meus
Aos lares teus
Te irei levar.
De novo os belos
Paços reais,
Entre os cristais
Irás saudar,
E sobre as finas,
Fulvas areias,
Entre as sereias
Irás cantar.
Embora sejam
Teus ermos lares
Entre os algares
Do fundo mar.
Sejam embora
Negro alcantil,
Que monstros mil
‘Stão a guardar,
Onde as tormentas
Sempre batendo,
Com ronco horrendo
Vão rebentar.
Irei, se queres,
Agora mesmo,
Sem medo, a esmo
Te acompanhar.
Meu barco é leve,
Meu braço é forte,
E a própria morte
Sabe afrontar.
Só peço em paga
Da doce lida
Passar a vida
A te adorar,
E a teus joelhos
Sempre prostrado
Teu rosto amado
A contemplar.
Oh! vem comigo,
Vem pressurosa,
Vem, ó formosa
Filha do mar.
IV
Calou-se o barqueiro amante;
Mas depois ouviu, tremendo,
Um canto, que mais ao longe,
Mais ao longe foi morrendo.
A cantar e a fugir
A sereia ia dizendo:
SEREIA
Eu sou pérola das vagas,
Que nao sei, nem quero amar;
O meu peito é como a rocha,
Onde em vão esbarra o mar.
Mancebo, vai noutra parte
Teus amores suspirar.
Do que existe sobre a terra
Nada me pode agradar;
Só amo a Deus nas alturas,
E a liberdade no mar.
Mancebo, vai noutra parte
Teus amores suspirar.
V
Desta canção fugitiva
Os ecos ainda duravam,
E nas praias suspiravam
Entre os bramidos do mar;
E o pescador entre angústias
Sentia o peito estalar.
PESCADOR
Por que foges, branca fada
De formosura sem par?
Por que me escondes teu brilho,
Formosa estrela do mar?…
Ronca em torno a tempestade.
Meu barco vai soçobrar.
Só tu podes no meu peito
Uma esperança plantar;
E as tormentas, que me cercam,
Com tua luz aplacar.
Nestes medonhos abismos
Nao me deixes soçobrar.
Ferve o mar, o céu em chamas
Vem abismos aclarar;
Nestas águas desastrosas
Vai meu barco soçobrar.
Vem salvar-me por piedade,
Formosa estrela do mar.
VI
Longos dias se passaram;
Ninguém mais ouviu cantar
A linda filha das águas
Nem na praia, nem no mar.
E vivia o pescador
Triste e só a definhar.
Se ousava nas ermas praias
Seu queixoso canto alçar,
Só ouvia longe, longe
Uma voz a lhe bradar:
“Mancebo, vai noutra parte
Teus amores suspirar.”
VII
Passaram mais dias, meses;
já cansado de pensar
O pescador sem
barco soltou ao mar.
Ei-lo sem norte e sem rumo
Nas ondas a resvalar.
Ei-lo que vai mar em fora.
Nas ondas do mar bravio
Seu amor louco e sombrio
Quer consigo sepultar.
Contra uma rocha empinada
Vai seu barco espedaçar.
Mas eis soa-lhe aos ouvidos
Voz celeste e maviosa,
Em toada lamentosa
Tristes coplas a cantar.
Aos acentos suspirosos
Cala a brisa, e geme o mar.
VIII
SEREIA
Sou moça e sou formosa;
Dos mares sou princesa;
Em graças e beleza
Jamais achei igual.
E vivo aqui sozinha,
Ai céus! para meu mal.
E vivo aqui sozinha
No seio de esplendores;
Ninguém quer meus amores
Ninguém me vem buscar.
E eu sou a mais formosa
Das filhas deste mar.
E eu sou a mais formosa
E a mais alva açucena,
Que sobre a onda serena
Balança o airoso hastil.
Mas nesta solidão
Que serve ser gentil?
Mas nesta solidão
Ninguém vem consolar-me;
E sempre a lastimar-me
Aqui morrerei só.
Ai triste de mim! triste!
Ninguém de mim tem dó.
IX
Ouvindo a canção chorosa
O barqueiro estremeceu,
E entregue a seus devaneios
O leme e a vela esqueceu
E com olhar desvairado
O horizonte percorreu.
Nem no mar, nem no rochedo
Vulto humano percebeu
E esta frase piedosa
Pelos lábios lhe tremeu:
“Esta triste, que assim chora,
É infeliz, como eu.”
Depois firme e resoluto
Em pé na proa se ergueu,
E para às alheias mágoas
Juntar o queixume seu
Alçando a voz sobre as vagas
Desta sorte respondeu:
X
PESCADOR
Por entre as ondas bravias,
De mil tormentas batido,
Em busca de um bem perdido
Voga, voga, ó batel meu.
Voga!…um dia saberemos
Onde a ingrata se escondeu.
Houve um dia, uma sereia…
Oh! que linda ela não era!…
Porém tão ingrata e fera,
Que de amor me enlouqueceu.
Dizei, nuas penedias,
Onde a ingrata se escondeu.
Ela deixou-me, – a cruel! -
Entregue a negros pesares,
Lastimando sobre os mares
O triste destino meu.
Dizei-me, ó ondas sonoras,
Se ela de mim se esqueceu
Se nas asas do tufão
Devassando o mar profundo
Na raia extrema do mundo
A meus olhos se escondeu,
Neste barco aventureiro.
Lá mesmo voarei eu.
Se entre monstros marinhos
Lá no mais fundo dos mares,
Em cristalinos algares
Se oculta o retiro seu,
Em meu amor confiado
Lá também descerei eu.
Se entre rochas malditas,
Entre grossos vagalhões,
Defendidos por dragões
Seus palácios escondeu,
Mil mortes desafiando
Lá mesmo chegarei eu.
Por entre as ondas bravias
De mil tormentas batido
Em busca de um bem perdido
Voga, voga, ó batei meu.
Voga!…um dia saberemos,
Onde a ingrata se escondeu.
XI
SEREIA
Nestas praias solitárias
Que procuras, pescador?…
Vens buscar pérola finas,
E corais de alto valor?…
Se tais tesouros desejas,
Voga além, ó pescador.
Que estrela por estes mares
Te conduz, o pescador?…
Queres ser nauta valente,
Deste mares ser o senhor?…
Se tal ambição te ocupa
Passa além, ó pescador.
Os mistérios saber queres
Desta ilha, ó pescador?…
E deste asilo os segredos
Aos olhos do mundo expor?
Se é esse o desejo teu,
Vai-te embora, ó pescador.
Mas se perigos insanos
Afrontando sem pavor,
Nesta ilha solitária
Tu vens procurar amor
A meus braços sem detença,
Corre, voa, ó pescador.
XII
Na base da penedia
O vulto branco surdiu
De uma donzela formosa
Como igual nunca se viu.
Para lá o pescador
O barco seu impeliu.
Saltando na branca areia
Aos pés da bela caiu;
Mas ela com brando riso
Meigas frases proferiu,
Beijou-lhe a fronte incendida
E os alvos braços lhe abriu
O batel abandonado
No pego se submergiu,
E o ditoso par amante
Entre rochas se sumiu,
E por aquelas paragens
Nunca mais ninguém os viu.
Às vezes por horas mortas,
Pelas noites de luar
Ao largo vê-se um barquinho
Solitário a velejar.
Quem vai dentro não se sabe
Nem se vê ninguém remar.
Apenas ouve-se um canto,
Tão triste, que faz chorar;
E os pescadores, que o ouvem,
Começam logo a rezar,
Dizendo consigo: é ela,
É ela, a filha do mar!
Bernardo Guimarães

Na mitologia grega as sereias eram criaturas de extraordinária beleza e de uma sensualidade irresistível. Quando cantavam, atraíam os navegantes que não conseguiam pelejar contra seu poder de sedução. Obcecados por aquela melodia sobrenatural, os pilotos arremessavam seus navios contra as rochas da ilha, naufragavam, e as sereias devoravam os tripulantes. Os gregos relatam que apenas dois conseguiram vencer o encanto de inimigas tão terríveis. Orfeu, o deus mitológico da música e da poesia, encontrou um recurso. Quando sua embarcação aproximou-se de onde estavam as sereias, ele salvou seus parceiros, tocando uma música ainda mais doce e envolvente do que aquela que vinha da ilha. A outra solução foi encontrada por Ulisses. O herói da Odisséia não possuía talentos artísticos. Sem dons, sabia que não venceria as sereias. Reconhecido de sua fraqueza e falibilidade, concebeu outro plano. No momento em que sua embarcação começasse a se aproximar da ilha sinistra, mandaria que todos os homens tapassem os ouvidos com cera e que o amarrassem ao mastro do navio. Depois que encarou sua fraqueza e incapacidade de enfrentar as armadilhas das sereias, rumou para a ilha conforme o plano. Do mesmo modo, deu ordem aos tripulantes: mesmo que implorasse para que o soltassem, as cordas deveriam ser apertadas ainda mais. Quando chegou a hora, Ulisses foi seduzido pelas sereias como previra, mas seus marinheiros não o libertaram. Quase louco, pedindo para ser solto, passou incólume pelo perigo. O relato mitológico termina afirmando que as sereias, decepcionadas por haverem sido derrotadas por um simples mortal, afogaram-se no mar. O que salvou Ulisses não foi a percepção de sua superioridade, mas a consciência de sua fragilidade.
Ricardo Gondim
Assinar:
Postagens (Atom)




